
O Gol sedan vai se chamar Voyage. Ele usará os mesmos motorees do irmão Hatch. Então o Voyage voltou. Será?
Conheci um Voyage certa vez. O ano era 1989. Morava-mos na cidade de Marília interior de são Paulo. Meu pai era militar e precisava fazer um determinado curso em São Paulo. Ele e uns amigos também militares decidiram comprar em conjunto um carro para que pudesses viajar até São Paulo, se deslocar na cidade e voltar para Marília enquanto durasse o curso. Quando o curso terminou meu pai decidiu comprar o carro dos amigos para usar como o segundo carro da família.
O carro era feio. Um Voyage 1982 dourado a álcool. A história do carro era interessante. Meu pai e seus amigos o compraram num feirão. O homem que vendi o carro disse que o motivo da venda era para punir o filho que usava o carro, um presente dado pelo pai, nos rachas de finais de semana. Negócio de ocasião. Pois bem, ali estava o Voyage dourado com rodas de liga-leve e placa de São Paulo (como isso atrai olhares no interior) na garagem de casa.
Aquele Voyage era muito mau humorado de manhã. Fazer ele pegar era um exercício de paciência. Não interessava se era uma manhã quente ou fria. Ele não queria saber de pegar. O ritual era o mesmo: puxar o afogador, apertar o botão do injetor de gasolina no carburador, dar a partida. Repetir o procedimento mais algumas vezes até ele pegar. Pegar? Dava medo quando o motor funcionava assim. Trepidava tanto que o carro todo chacoalhava. Parecia que o motor ia pular pra fora. Ele resmungava muito e soltava uma fumaça branca com um cheiro de álcool mais que forte. Aos poucos o mau humor ia sumindo e a rotação do motor aumentando, dando sinal de que o afogador não era mais necessário. Aí o carro era outro.
Bastava pisar no acelerador que ele erguia a frente e respondia alegre acelerando. Ele gostava de andar. E gostava de curvas. Parecia que as rodas não desgrudariam nunca do asfalto. Nos sinais vermelhos a diversão era notar a cara de desprezo dos donos de Gol GTS, Escort XR3 ou de Monza. Mas bastava abrir o sinal que eles se surpreendiam. O Voyagezinho dava trabalho. Em primeiro lugar por que os idiotas adoravam cantar pneus, o que todo mundo que é inteligente sabe que faz perder tração. Em segundo lugar por que eles subestimavam o Voyage que era leve, engatava as marchas com precisão e tinha um desempenho razoável. Tudo bem, ele não era páreo para os Gol GTS de então. Mas que ele dava trabalho, dava sim. Ele não tinha uma aceleração fantástica e nem uma velocidade máxima de cair o queixo. Mas ele andava! Acelerava vigorosamente, não temia curvas e freava bem e com segurança. Ficou evidente o por que o tal cara de São Paulo usava ele para rachas.
Não era um carro confortável. Os anos de uso severo já deixavam marcas. O banco era muito duro, a suspensão não filtrava a menor irregularidade do piso. Mas o interior era aconchegante. Pelo fato do vidro traseiro estar mais próximo dos passageiros, o ambiente ficava mais, digamos, intimista. Os passeios eram sempre alegres dentro dele. Talvez pelo fato dele ser um carro alegre. Aquele dourado horroroso tinha lá sua energia boa. Não havia musica dentro do carro. Até havia um rádio toca-fitas mas as caixas de som não ajudavam. O jeito era conversar muito. E rir muito.
O tempo passou. O Voyagezinho foi embora. Ficaram as lembranças dos sábados alegres. Que venha o Novo Voyage. E que ele traga toda a tradição de alegria do seu antecessor.
Bem vindo.
Volkswagen
Volkswagen Voyage